
Há uma dezena de vozes no meu ouvido e não obstante, todas são uma só voz, a de Cortázar. Confesso, para introduzir o tema, que esse escritor é um daqueles que eu tenho que ler e ainda não li. Aqueles que eu costumo deixar esquecidos em algum guardanapo, na beirada de um caderno, na borda de um outro livro. Nomes e títulos largados sistematicamente por onde eu passo, como se algum dia eu os voltasse a olhar e relembrasse o motivo de me interessar por eles. O velho e bom... tenho que ir atrás desse cara, dessa música, desse filme, ou pior, desse livro. Somam-se a essa lista de autores abandonados na minha mesa, centenas (como mínimo) de outros importantes novelistas, cronistas, poetas e outros miseráveis. Segundo as minhas contas, infelizmente, serei obrigado a ler alguns deles no caixão. Como desculpa matemática, e possivelmente como única desculpa que eu posso dar, me atenho ao fato de que eles são muitos e meus olhos só são dois, ainda que para piorar a situação, trabalham como um. De todas formas, devo admitir que me sinto jovem e avergonhado por só conhecê-los de nome e não de obra, ainda que dentro dessa vergonha, numa inversão completa da lógica, sinto um mínimo de orgulho, só uma ponta, porque sei que em mim existe a preocupação em conhecê-los, em lê-los. Coisa, aliás, que muitos passam por cima, seguem adiante, sem a mínima curiosidade.
Mas em relação a Cortázar a coisa vai mais longe. Tenho ele na minha mira há anos. Já fui até em exposição em homenagem a ele e tudo mais. Até diria, porém não digo, que em relação a sua obra, me sinto como um menino bobo que vive olhando a menina dos seus sonhos, sem nunca ter coragem para trocar um par de palavras.
Ok. Voltemos aos meus ouvidos. Essas muitas vozes que agora escuto são em realidade frutos de mais uma das minhas pesquisas aleatórias. Um nome que leva a outro, um interesse que fagocita outro, mil hiperlinks, e por fim, uma personalidade que considero ou reconsidero interessante. Dessa vez foi ele. Cortázar. Ele que voltou a me encontrar.
Já que era um homem de letras, ainda que não reconhecesse ser um profissional (ha ha ha), e já que não tenho nenhum livro seu para saber como escreve; me interessei, portanto, em ouvir o sotaque desse escritor que pra mim ainda é misterioso. Não estranhem. Isso acontece muito comigo. Eu tenho essa mania triste de buscar o contrário das pessoas, de confundir os 5 sentidos, de querer encaixar cinema mudo com literatura falada.
Então, procurando por alguma entrevista sua, descubro uma de 1977 para a Televisión Española. Vídeos curtos, como muito 7 minutos o que dura mais.
Depois de acabar de ver o primeiro, fui abrindo desesperadamente os vídeos relacionados da mesma entrevista, e assim foram surgindo novos Cortázar's, novas vozes, uma em cada aba que nascia berrando no meu navegador.
Obviamente, recomendo a entrevista, não por ser um grande autor que não li, e sim, porque suas respostas são de uma inteligência e originalidade abrumadora.
Como uma pequena mostra, essa frase: “...ese azar que hace tan bien las cosas... el azar hace muy bien las cosas en la História... lo hace mucho mejor que la lógica”.
Me desculpem, mas prefiro não me aprofundar muito mais sobre o personagem e muito menos na sua obra não lida. Meu texto é pra falar de como eu relembrei que eu estou devendo uma leitura para esse figuraça. Até porque continuo pensando que assim, só no aperitivo, o apetite aumenta.
P.S. O sotaque latino americano com umas derrapadas para o francês faz uma certa graça para os ouvidos mais atentos.
Ah, e claro, ainda que não tenha lido uma linha sua sequer, acho mais que válido o interesse pela obra de Julio Cortázar. Eu prometo que esse eu risco da lista antes de descer os 7 palmos.
Gosta de olhar os comentarios dos outros, né? Eu também. Entao, por que você nao deixa o seu, fela da puta?
ResponderExcluirDjuri, eu tava lendo teus posts, desse e do outro blog, e sabe qual a minha opinião ? Ok, talvez vc não quiera saber, mas eu vou falar assim mesmo...
ResponderExcluirNão sei se é um elogio ou não, deixo pra vc a conclusão.
Estas no campo errado, que bom que aos poucos estas te descobrindo, vc é um publicitario apenas por convenção social, no fundo, no fundo, você é mesmo um escritor...
abraço mô fio
Yurex! Não tenho a menor ideia de quem é esse de Cortazar nem interesse em sabe-lo, mas velhinho pega logo essa porra desse livro e lê!
ResponderExcluirE ai Gabriel, isso é uma ameaça de morte? Rsrsrs.
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