A mulher se desnuda,
se descasca diante do meu assombro,
me alerta,
me eriça com seus pêlos, suas partes.
Assopro sua pele,
tiro-lhe a poeira,
aliso suas dobras
desembaraçando o caminho
do suor por vir.
Que lindo mistério é nosso corpo em extremo,
em excitação,
nos enchendo de cheiros,
nos molhando por dentro e por fora,
como a língua que pinta de cor saliva
- transparente como há de ser nosso desejo -
nossos dentes, nossos lábios,
o falo.
E perdidos entre tantos pecados,
dois seres se encontram por vontade própria
e de tão próximos
já não existe horizonte entre eles
para que caiba um suspiro,
um gemido mais sequer.
Se afrontam à realidade humana,
nossa realidade,
animalesca, reprodutiva, divina,
que em seu ápice,
em seu momento último de evolução
transforma seus vestígios
- de animais, criadores, deuses -
em algo compacto e único,
unidade e imensurável,
plural convertido em singular,
em prazer, somente prazer.
O prazer da carne sensível, latente,
em uma dança única,
em um lugar nosso,
feito da gente,
onde amor é mais que abstrato
e sexo mais que a planície de dois corpos.
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